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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

11 de Setembro

XXXX
Há 295 anos, na região que hoje conhecemos como a Catalunha...

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Há 36 anos, em Santiago, no Chile, a Rádio Magallanes transmitiu a última mensagem do presidente democraticamente eleito Salvador Allende, que disse: “Pagarei com a minha vida a lealdade do povo"... Antes de ver o palácio presidencial bombardeado por caças pilotados por americanos (sempre tão desesperados em aniquilar o espirito socialista na América Latina), em sujo conluio com o ditador fascista, o general-assassino: Augusto Pinochet. Que viria a instalar um reinado de terror durante 17 longos anos, em que fuzilou adversários e tirou a vida a PELO MENOS 3.197 pessoas, das quais 126 eram mulheres (algumas delas grávidas) e 49 crianças (entre os 2 e os 16 anos).
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Aqui ficam as palavras desse luminoso estadista - Salvador Allende:
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"Certamente, esta será a ultima oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. As minhas palavras não têm amargura, mas sim, decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu o seu juramento (…)
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Colocado num transe histórico, pagarei com a minha vida a lealdade do povo.
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E digo-lhes que tenham a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares de chilenos, não poderá ser ceifada em definitivo. Eles têm a força, poderão subjugar-nos. Porém, os processos sociais não se detêm nem com crimes nem com a força.
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A história é nossa e é feita pelo povo.
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Trabalhadores da minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram num homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou a sua palavra no respeito à Constituição e à Lei, e assim o fez.
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Neste momento definitivo, o último em que posso dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reacção criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem a sua tradição, que lhes fora ensinada pelo general Schneider e reafirmada pelo comandante Araya, vítima do mesmo sector social que hoje estará à espera, com mão alheia, de reconquistar o poder para continuar a defender as suas mordomias e os seus privilégios.
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Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher modesta da nossa terra, à camponesa que acreditou em nós, à mãe que soube da nossa preocupação pelas crianças.
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Dirijo-me aos profissionais patriotas que continuaram a trabalhar contra o levantamento popular estimulado pelas associações de profissionais, associações classicistas que também defenderam as vantagens de uma sociedade capitalista.
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Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e doaram a sua alegria e o seu espírito de luta.
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Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, pois no nosso País o fascismo já esteve presente várias vezes: nos atentados terroristas, explodindo pontes, cortando linhas ferroviárias, destruindo oleodutos e gasodutos, perante o silêncio daqueles que tinham a obrigação de tomar providências.
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Certamente, a Rádio Magallanes será calada e o metal tranquilo de minha voz já não chegará até vocês. Mas isso não é importante. Vocês continuarão a ouvi-la. Ela estará sempre junto de vós. Pelo menos a minha lembrança será a de um homem digno que foi leal com a Pátria.
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O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não pode deixar-se arrasar nem se deixar balear, mas tampouco pode humilhar-se.
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Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e no seu destino. Outros homens hão-de superar este momento cinza e amargo em que a tradição pretende impor-se. Prossigam vocês, sabendo que, bem antes que o previsto, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.
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Viva o Chile! Viva o Povo! Viva os Trabalhadores!
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Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que o meu sacrifício não será em vão.
Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a deslealdade, a covardia e a traição."
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Há 8 anos os Estados Unidos da América tremeram...

TO BE CONTINUED...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Porque há dias assim...

XXXIX


Nessun dorma! Nessun dorma!
Tu pure, o, Principessa,
nella tua fredda stanza,
guardi le stelle
che fremono d'amore
e di speranza.
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Ma il mio mistero e chiuso in me,
il nome mio nessun sapra!
No, no, sulla tua bocca lo diro
quando la luce splenderá!
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Ed il mio bacio scioglierá il silenzio
che ti fa mia!
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(Il nome suo nessun sapra!...
e noi dovrem, ahime, morir!)
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Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vinceró!
vinceró, vinceró!

No one shall sleep! No one shall sleep!
Even you, o Princess,
in your cold room,
gaze at the stars
that tremble with love
and hope!

But my secret is locked within me,
my name, no one shall ever know!
No, no, I shall say it as my mouth
meets yours, when the light breaks!

And my kiss will thaw the silence
that makes you mine!

(His name, no one shall ever know,
and we, alas, shall die!)

Vanish, o night!
Fade, stars! Fade, stars!
At dawn I shall win!
I shall win, I shall win!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Fidel Castro

XXXVIII
Feliz cumpleaños, Comandante!
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Fidel,
Viva Cuba!
Viva la Revolucion!
Viva los ideales de la lucha anti-fascista...
que, resistiendo desde Fulgencio Baptista hasta hoy,
hicieran con que Cuba no sea, una colonia mas,
del imperialismo opressor y del poder
de los Estados Unidos!
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- Hasta la Victoria... SIEMPRE!
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X Festival Intercéltico de Sendim

XXXVII
Todos os anos, no primeiro fim-de-semana de Agosto, tem lugar na pacata "Bila de Sendim", nas terras altas de Miranda do Douro, o Festival Intercéltico que, este ano, cumpriu a sua décima edição.
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Durante 3 dias, as ruas desertas e a mítica escadaria da igreja, maravilhosamente antiquissima, enchem-se de vida e especialmente de muita gente. Chegam dos quatro cantos do país, desde o Algarve a Setúbal, Lisboa, Leiria, Coimbra, Aveiro, Porto, Braga... mas não só. Encontramos, sem dificuldade, um grande número de galegos e castelhanos, irlandeses, ingleses, e até suecos e finlandeses. Vão chegando em bandos soltos, como que largados em vagas que se arremessam instintivamente para os mesmíssimos locais. Vestem calças árabes e hábitos modernos durante a sexta-feira, primeiro dia do festival, e vão desde logo e até domingo (já mais enraizados, relaxados e menos urbanos) atafulhando a modesta vida das gentes da terra, quer com os vícios e tiques, quer com a azáfama no café central da vila, o famoso PASSAREIRO, onde amável e divertido está - como um grande chefe tribal - de bigodaça imponente e uma simpatia inesgotável, o ilustre e mui digno senhor Jorge.
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Fácil de ver é que os pouquíssimos multibancos rapidamente esgotam o seu stock. Pelo que vale a pena prevenir-se antes - não vai querer perder a oportunidade de beber uns liquídos fresquinhos, pela tarde fora, sob os impiedosos 42º do calor da montanha.
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Aconselha-se vivamente o passeio descontraído e sem pressa pelas aldeias e vilas dos arredores, onde para além de festivais paralelos de arromba (L Burro i L Gueiteiro - este ano com os inimitáveis e genuínos Galandum Galundaina, La Musgaña, Uxukalhus, e os nada menos que fantásticos Dazkarieh) e também as feiras de instrumentos musicais (gaitas de foles, sanfonas, tambores, realejos), encontra também uma flora e uma fauna absolutamente intacta e maravilhosa, oportunidade já tão rara nos dias que correm.
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Aproveitando o passeio, dirija-se a Miranda do Douro, terra dos bem conhecidos Pauliteiros. Aí vale a pena parar para jantar n'O Mirandês (o preço por pessoa ronda os 15 €). Delicie-se com a incontornável e avassaladoramente suculenta "Posta à Mirandesa", servida em quantidade medieval e com um sabor como nunca provamos até lá termos estado. Um restaurante excepcional, com um serviço e uma qualidade nos alimentos impecável!
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De volta a Sendim, antes e depois dos concertos (cujo preço do bilhete/dia são 12.50 €) dirija-se à já tradicional casa Meseta, onde - sentado nos fardos de palha que servem de banco - pode degustar a nobre gama de vinhos produzidos localmente e que foram já, inclusivamente, galardoados em mostras internacionais, cuja especialidade é o Rosé doce, verdadeiramente perigoso nos dias de maior calor por ser tão suave, fresco e delicioso (a 2€ a garrafa).
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As noites, claro está, estão reservadas às performances musicais, e do cartaz desta edição constaram nomes grandes da música Folk portuguesa como os Lenga-Lenga e a Brigada Víctor Jara. De Castilla y León veio Maria Salgado. Das Astúrias Llan de Cubel, e de Euskadi veio Korrontzi. Da Suécia chegaram os tão prestigiados Hedningarna, que tocaram sem grandes surpresas. Letárgicos e muitíssimo aquém do esperado. Bem ao contrário do que lhes exigia este festival de tradição celta na celebração do seu 10º aniversário.
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Valeu, porém, tudo o resto: a gastronomia inigualável e a preços surreais. A hospitalidade verdadeiramente tocante. O ambiente fantástico e a boa disposição dos intervenientes. O próprio facto de: num minuto, estarmos a ver uma banda a actuar no palco, e no minuto seguinte, no fim do espectáculo - descerem do plateau e virem misturar-se com as gentes, a brindar e rir descontraidamente. Usufruindo e tocando com os restantes gaiteiros e tamborileiros que vão aparecendo de um e outro lado. É tudo isto que faz com que os mais de 800 km percorridos para lá chegar valham muito a pena!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Bichezas à solta

XXXVI
É verdade, meus amigos,
Os Macaquinhos no Sótão andaram à solta por aí, livres e de férias.

Chegou a altura de trajar, como manda a tradição, o calção e o chinelo. É tempo de esquecer o relógio e partir à aventura. Deixar a silly season fazer das suas, que é como quem diz: fazer NADA!
Não um nada qualquer, desses de trazer por casa! Mas sim um nada intencional, preguiçoso e demorado pelos dias dentro e noites fora.

Cálculos meticulosamente precisos foram encomendados pelos Macaquinhos no Sotão à NASA. E estimam que no período de 15 dias:

- A distância percorrida terá sido, aproximadamente, de 2600 Km em território nacional - dos quais 1360 foram efectuados de comboio, e os restantes 1240 de automóvel;

- Num total de 33 horas de viagem (o que equivale a - sensivelmente - um dia e meio), das quais 12 horas foram percorridas de comboio e as restantes 21 de carro;

- O custo situou-se na casa das várias centenas de euros - cuja grande maioria foi gasto em combustível para consumo humano e o restante não se sabe muito bem em quê;

- Até à hora de fecho desta edição, não tinha sido possível apurar os valores das emissões de CO2, por razões de natureza técnica às quais somos completamente alheios;

- Certo é que houve lugar a muitas aventuras e desventuras. O país prescrutado de lés a lés. Do litoral quente do Sul profundo ao bucolismo serrano do nordeste transmontano. Da orgulhosa raça das gentes do Douro às frondosas paisagens muito verdes do Alto Minho... nenhuma pedra ficou por virar, neste pedacinho do planeta.

Macaquinhos no Mundo: