Translate the blog:

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Big Mac Attack

XXIV
Desta vez não vou dizer nada...

Podia ficar aqui a falar sobre como a desflorestação dá lugar às culturas pecuárias sobre-exploradas, ou então sobre como o colesterol é exponenciado pelos fritos, ou sobre a tortura dos animais (sejam eles quais forem) antes de serem feitos em hamburguers. Mas não o vou fazer.
Nem sequer vou falar da exploração laboral dos trabalhadores, na sua maioria demasiado jovens. Não!

- Desta vez vou deixar apenas uma imagem que, dizem, vale mais que mil palavras, e que remeto à vossa mui ilustre consideração...


I'M LOVING IT !
.
.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

É proibido fumar!

XXIII
Foi em Janeiro de 2008, que entrou em vigor a lei, que impede "o acto de fumar, chupar ou mascar um produto à base de tabaco", nos restaurantes, bares, discotecas, recintos de espectáculos, e mais.

E, assim de repente, não me consigo lembrar de nenhum outro produto no mercado, em que o fabricante anuncie que aquilo mata, e as pessoas o continuem a consumir despreocupadamente.
De facto, este é um fenómeno assaz curioso. O acto de fumar. - É o quê, concretamente? - Em que consiste este ritual suicida?

O tabaco é uma planta, do género Nicotiana, e é originária da América do Sul, à qual, os povos autóctones, atribuiam poderes curativos mágicos. Foi introduzida nas cortes reais Europeias, no século XVI, por navegadores espanhóis e ingleses.

Embora esta seja a teoria mais comummente aceite, outras há que, visam indicar a sua origem na Ásia (como é o caso do escritor Lotario Becker), alegadamente levada, em tempos muito remotos, para o Novo Mundo. E, demonstra que na Pérsia, por exemplo, cultivou-se e fumou-se uma ou mais espécies de tabaco, muito antes da descoberta da América.

Outras teorias dão a planta como sendo africana, pelo facto de não ser crível que este vegetal se pudesse generalizar tanto em todo o continente, e enraizar-se nos costumes dos povos - apenas depois - da descoberta da América.

Há também posições que defendem a sua origem no norte da Austrália, citando as comunicações de James Cook e Gregory, entre outros, sobre plantas narcóticas que viram mascar, fumar ou sorver em forma de pó.
Inicialmente, o tabaco era mascado ou aspirado enquanto rapé. E obteve grande popularidade (como tratamento para as enxaquecas, pneumonias, chagas, gota, raiva, e servindo até como narcotizo e aperitivo) junto de habitués como Catarina de Médicis.

No entanto, o ritual do tabaco hoje, no século XXI, está já muito longe da prática ritualista de 1500, e do glamour da belle époque.

Ao observarmos com atenção, o acto (sobretudo visual) de fumar, constatamos que desde a linguagem corporal - das mãos que procuram o isqueiro, ao próprio som particular de acender o cigarro, a cigarrilha, o charuto ou o cachimbo - há nisto uma mística hermética que transcende absolutamente, qualquer que esteja excluído desta elite nebulosa.

Descobre-se, na sedosa sensação ao toque, do retirar de uma munição da caixinha de cartão colorida, um prazer que se estranha e depois entranha. Tanto sabor nesse gesto de levar o preparado aos lábios, com laivos de chocolate e folha de tabaco que, por via do fogo, na sua ignição desprendem pedaços de uma nuvem maciça, invadindo o corpo internamente, num calor confortável e familiar.
.
Sejamos claros! - Numa sociedade que vem assumindo um papel, cada vez mais, de apologista (fundamentalista) das boas práticas e do exercício físico e da alimentação saudável (enquanto promove a venda de automóveis de combustão a gasolina e diesel, e de bens de consumo polutivo) pergunto-me até quando poderei - legalmente - tomar a decisão de comer bacon, e onde o posso consumir, livre de imposto?

.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Uma Receita Caseira

XXII
Há dias assim. Daqueles em que temos vontade de fazer qualquer coisa extraordinária. Não uma coisa qualquer. Algo fantástico, especial, delicioso, que faça crescer água na boca. Então, decidi ir, pela internet dentro, à descoberta de uma receita que me seduzisse. Optei, antes, por arriscar na ousadia de misturar vários sabores numa só refeição. Uma espécie de cozinha do mundo.
.
"Mergulhe-se na cultura gastronómica chinesa, na sua cor, perfume e paladar, funda-se nos exóticos condimentos da rica cozinha indiana. Pincele-se os aromas da arábia, com o preceito kosher na preparação dos alimentos - Assim teremos todos os sabores do mundo dentro da nossa boca"
.
Lucio Arantes Montoya
.
Comecei por preparar a entrada: uma bela Baba Ghanouj (pasta de beringela, de origem árabe), na qual gastei:

2 kg de beringela
4 colheres (sopa) de
tahine
sumo de três
limões
4 ou 5
alhos amassados com sal


Vão ao microondas (as beringelas) por 10 minutos (apesar de que ficam muito melhores no forno) até murcharem por inteiro.
Cortam-se ao alto, e raspa-se o conteúdo, para dentro de um recipiente. Misturam-se com os outros elementos, mais uns cubinhos de queijo, e reintroduz-se o preparado no interior, do que resta, da beringela e... já está.

De seguida, pensei em fazer um Chittarnee (peito de frango agridoce ao molho de cebola, da cozinha judaica). E foram precisos:
.
1 kg de cebolas picadas
3 dentes de
alho esmagados
2 colheres (chá) de
gengibre ralado
1 colher (chá) de
açafrão
1 colher (chá) de
canela
1 colher (chá) de
coentro picadinho
4 folhas de
louro
6 peitos de
frango cortados em cubos
1/2 kg de
tomates picado (sem pele, nem sementes)
3 colheres (sopa) de
vinagre
2 colheres (chá) de
açúcar
sal e pimenta q.b.

Deve dourar-se a cebola em azeite, e depois, juntar o alho e os restantes condimentos. De seguida entram os cubinhos de frango, que ficam por mais 10 minutos, e vai-se mexendo. Adiciona-se o tomate, e mantêm-se a apurar até o excesso se evaporar. Junta-se-lhe o vinagre e o açucar e cozinha-se em lume brando, mais uns 10 minutos. Está feito!
.
O acompanhamento, lembrei-me eu, poderia ser uma Massa de Ninhos (de tradição chinesa). E precisei de:
.
250 gramas de vegetais variados (pimentos, soja, bambu)
1 colher (sopa) de óleo vegetal (amendoim é o ideal)
250 gramas de massa chinesa (noodles) cozida
1 colher (sopa) molho de soja
1 colher (chá) de óleo de sésamo
.
Fervem-se os vegetais em água e sal durante 2 minutos e escorre-se. Aquece-se o óleo num wok (frigideira funda) e mistura-se muito bem a massa (noodles) já cozida. Acrescentam-se os vegetais e o molho de soja (shoyu é perfeito). Deixa-se cozinhar, para libertar os sabores, durante uns 2 minutos. Rega-se com óleo de sésamo e serve-se. Assim, perfeito!
.
Para terminar em beleza, nada melhor do que a maravilhosa sobremesa, no caso, Gulab Jamun (bolinhos de leite com caramelo) da cozinha indiana. E requer:
.
BOLINHOS
1/2 chávena (chá) de leite
1 colher (sopa) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de manteiga derretida
1 colher (café) de fermento em pó
SYRUP
1 chávena (chá) de açucar
2 chávenas (chá) de água
.
Para fazer os bolinhos basta que se misturem os elementos, que se amassam até ganhar boa consistência, homogénea, de tal forma que se solta das mãos. Fritam-se depois no óleo quente, mas em lume brando.
Para obter o syrup, junte-se a água ao açucar e ferva-se durante uns 10 minutos. Depois disso, é só verter a calda sobre os bolinhos... bon apetit!
.
...PARA QUEM, DEPOIS DESTE TRABALHO TODO, AINDA ASSIM NÃO GOSTE: ESQUEÇA TUDO ISTO E ENCOMENDE UMA PIZZA!...
.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sonus Matrix

XXI
Quando passares por mim na rua,
não me ignores nem me sejas indiferente.
Não penses em mim como o Outro,
mas sim em nós como parte de um mesmo.
.
É difícil dizer onde eu acabo, e tu começas.
Porque eu sou igual a ti, e não és diferente a mim.
Somos ilhas, separados apenas superficialmente
Ao emergimos de um mesmo profundo subsolo.
.
Ambos somos o mesmo, e todos somos Um.
De iguais características, biologia e humanidade.
Parte viva do planeta em constante mutação.
Indistintos pequenos pedaços do cosmos.
.
A vida, é um caminho de ferro, em que somos,
alternada e simultaneamente: locomotiva, vagão e passageiro!
.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

do Amor e outros delírios

XX
Ele está sentado nu, em silêncio, na cama, de olhos semi-cerrados. Os seus delicados dedos de pianista desenham melodias, nos cabelos selvagens da sua amante. São como pincéis etéreos, espalhando cor na tela imperfeita, diluídos nas sombras cúmplices. Tem nos lábios o travo agridoce do amor, que lhe bate no peito, como uma balada salgada escrita na espuma da rebentação, no fim do Verão.

Ela está imóvel, por sobre a cama. Dorme doce e serena, quieta, felina. A sua pele, rosada, macia, impera sobre os engelhados lençóis de luz que a acariciam. Move-se como uma serpente encantada, vagarosamente sedutora, lúbrica. Um suspiro grave solta-se dos seus lábios despreocupados e esvanece-se no ar, entre paredes cerise e ocre, do quarto com odor a sexo.

A brisa húmida e quente da tarde invade-lhes o covil secreto, desliza pelas frestas da grande janela de madeira, sobre um oceano de um azul muito vivo. Ouve-se baixinho, ao longe, o embalar ondulado dos barquinhos brancos, distinguindo-se na distância. As flores que nascem junto ao mar impregnam o suor mudo dos seus corpos.

Ele toca-lhe, breve. Percorre, com as pontas dos dedos, os tornozelos finos onde cintila uma pequena pulseira árabe. Sobe, lentamente, por dentro das pernas, até às coxas despidas e bebe o seu curso, demoradamente. Repousa nas nádegas firmes daquele corpo despertado em arrepio bom que lhe sorri e o recebe.

Ela olha-o com um desejo animal, libidinosa e lânguida, sem uma única palavra. Segura-lhe a mão e leva-o, voluptuosamente, a sentir os seus deliciosos seios. Puxa-o para si, para junto do seu corpo, e beija-o sofregamente. As bocas selam, em gestos liquidos das línguas impúdicas, o que as palavras calaram. E, avidamente, encaixa toda a sua sensualidade no vigor da nudez do seu amante.

A serra densa por detrás da casa, pontilhada de acácias venusianas, vigiam-na. Ergue-se sobranceira ao manto extenso de areia branca que cobre a praia, e testemunha o vago passar das horas. O rumorejar das folhas matizadas silencia os gemidos íntimos, que se soltam, ofegantes, daquele prazer absorto que os devora.

O dia, tosco, sume-se na cinza das horas. Tarda sossegadamente. O mar embala, um gato ronrona, o cigarro arde... a noite cai!
.

Macaquinhos no Mundo: