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segunda-feira, 11 de maio de 2009

As melhores desculpas para chegar atrasado

XIX
Porque, na vida moderna, há sempre situações às quais não conseguimos chegar a horas, mais do que as desculpas dadas, aqui encontram as suas explicações, de certa forma, desmistificadas:
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1) Ficar retido (Lindo! Ficar retido como assim? Tipo o quê? Do género: ser sequestrado por terroristas, trancarem-nos na mala do carro, ter sido dopado por um espião do bloco de leste?)

2) Motivo de força maior (isto é a própria Natureza a impedir-nos de chegar ao escritório, por todos os meios possíveis. Entre outros: inundações, fogos, terramotos, tsunamis, furacões...)
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3) Trânsito infernal (no sentido Dantesco da coisa: entes demoníacos a incendiar o alcatrão, diabretes a roer os semáforos, barricadas de monstrengos na estrada - mas lá consegui chegar)

4) Doença na família (os filhos são alvos preferenciais. À falta deles há a mãe que - coitada - sabe como é, já tem uma certa idade. Ou, se possível, a avó que morreu duas vezes no ano passado)
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5) O despertador não tocou (ora aqui está uma daquelas "falhas técnicas às quais somos alheios", que é como quem diz - sou um robot: NÃO DESLIGAR ANTES DA CARGA COMPLETA!)
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6) Homem do gás (ou o electrodoméstico, ou o canalizador, o administrador do condomínio, seja quem for. Esses bandidos que nunca chegam a horas, e ainda atrasam as pessoas que trabalham)
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7) A muda de roupa (Terrível! E logo hoje, que até tinha chegado 15 minutos mais cedo, "alguém" lhe entorna café/sumo/toner em cima, e tem de ir para casa trocar de roupa)*
* pode ser acumulado com o ponto 2 e 3
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8) Problemas mecânicos (é o carro que não pega, ou que aquece muito, até pode ser a máquina (...) que entope, ou ainda a torradeira que deu curto-circuito e ia pegando fogo à casa)
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9) Indisposições gerais * diferente do ponto 4 (que noite horrível! A intoxicação alimentar, o desarranjo intestinal, a gripe, a febre, a alergia, a dor de garganta, a enxaqueca... é que não preguei olho!)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

De baixo para cima

XVIII
Num manancial prodigioso
O curso impetuoso de vida
Descobre-se, em novos rumos,
Na maciez de um corpo nu

e,

Em doces melopeias antigas
Correm, por sobre as águas,
Essas vozes que ecoam húmidas
Como distantes pássaros de Abril
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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Palavras despidas (de verbos)

XVII
Palavras sujas, desenhadas
em inconstantes desafios
Como flechas, impiedosas,
pelo teu ardente corpo dentro.

Uma silenciosa revolta
no fervilhar crepitante
da fogueira branda e suave
deste sonho interminável

Palavras soltas, leves, doces
como breves gotas frescas
de chuva crepuscular
na devoradora noite quente.
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Pérolas do Português

XVI
No Macaquinhos de hoje, apresentamos uma colectânea das expressões maravilhosas que povoam as nossas ruas e mercados:
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"Bule-me ca vesícula" - Alusivo a alimentos que comprometem o aparelho digestivo (paciente no Centro de Saúde de S. Roque)
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"Encarniçado" - Feroz (adepto do Sra. da Hora, falando de um jogador da equipa adversária)
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"O esposo" - Cônjuge masculino (vendedor brasileiro, ao telefone, tentando vender colchão)
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"Sacrilégio" - Ultraje feito a pessoa sagrada (beata idosa de Viseu, referindo-se ao casamento gay)
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"Bicos de papagaio" - Osteoartrose (professora reformada, no café, acerca das suas várias doenças)
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"Cruzes canhoto" - Interjeição supersticiosa (benfiquista em fato-de-treino, num domingo, em Belém)
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"Faneca" - Peixe da família dos gadídeos (simpatiquérrima peixeira no Mercado do Bolhão)
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"Freguês" - Cliente (comerciante tradicional de retrosaria, na baixa de Lisboa)
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"À rasca" - Aflito (taberneiro de Sta. Apolónia falando sobre uma inspecção da ASAE)
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"Catarro" - Expectoração (reformado fumando, perto da Cordoaria, enquanto jogava à sueca)
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"Doença do cérbo" - Patologia neurológica (caixa de supermercado, em Paço de Arcos, comentando sobre a sogra)
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"Dor nas cruzes" - Lombalgia (de uma vizinha para outra, numa das ruas de Alfama, sobre o tempo que vai mudar)
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"Rega Bofes" - Festa com fartura de comida e bebida (homem de bigode farfalhudo, dissertando acerca da vida política)
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"Figadeira" - Problemas de fígado (comensal na tasca do Vitalino, em Ponte de Sôr)
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"Prontes" - Corruptela de pronto (massagista de um clube de Coimbra, da Distrital, ao ser entrevistado, na Liga dos Últimos)
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"Maneiras que..." - Articulador do discurso (polícia de Lamego, dizendo para "controlar" a rotunda e "encarar" com o cruzamento)
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"Faz-me espécee" - Causa estranheza (director comercial do Expresso, depois de meia garrafa de Cardhu às onze da manhã)
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"Escanifóbético" - Bizarro (aluno do 1º ciclo, referindo-se às características de um determinado berlinde)
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Aqui ficam algumas das jóias da fascinante tradição oral do nosso povo, tão profícuo no acto da criação poética. Agradece-se, desde já, todas as sugestões que visem engrossar o património étno-histórico, da nossa linguagem popular.
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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um grande nada

XV
"daca dragoste nu e, nimic nu e"
Marin Preda (1922-1980)


De William Shakespeare a Lord Byron, de Walter Ralleigh a John Keats, de Lennon a Marley, já tão grandes escreveram sobre o amor, e nos deixaram um património de sonhos e emoções tão vasto, homenagens tão profusas a essa inequívoca necessidade de amar, capazes de nos acender por dentro essa magia viva... ainda assim, é algo de que nos temos esquecido, na pressa dos dias, de sentir.

A mim, resta-me a constatação de que sem Amor somos só:
- Um grande nada!

Come away, come, sweet love,
The golden morning breaks,
All the earth, all the air
Of love and pleasure speaks,
Teach thine arms then to embrace,
And sweet rosy lips to kiss,
And mix our souls in mutual bliss.
Eyes were made for beauty's grace,
Viewing, rueing love's long pain,
Procur'd by beauty's rude disdain.
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Come away, come, sweet love,
The golden morning wastes,
While the sun from his sphere
His fiery arrows casts:
Making all the shadows fly,
Playing, staying in the grove,
To entertain the stealth of love,
Thither, sweet love, let us hie,
Flying, dying, in desire,
Wing'd with sweet hopes and heav'nly fire.
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Come away, come, sweet love,
Do not in vain adorn
Beauty's grace that should rise
Like to the naked morn:
Lilies on the river's side,
And fair Cyprian flowers new blown,
Desire no beauties but their own,
Ornament is nurse of pride,
Pleasure, measure, love's delight,
Haste then, sweet love, our wished flight.
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Anónimo
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Macaquinhos no Mundo: